23 de setembro de 2012

Odeio a noite

Durmo a manhã toda. Mesmo quando estou acordada.

Escuto os sons da casa: O caminhão do lixo lá fora, o alarme de um carro estacionado não sei onde, barulho de cadeira na cozinha...

Durmo de fato. O único momento que escapo da minha condição atual. Separo-me de mim mesma, e tenho alguns minutos de sono limpo, até que venha um sonho recheado de lembranças dolorosas e preciso acordar novamente.

Apaguei tudo que fosse possível me transportar pro passado. Mudei senhas de banco, senhas de internet, emails antigo, fotos...

Mentira, não apaguei nada! Só não olho mais...

Ás vezes, quando estou deitada na cama, eu finjo. Finjo que estou na minha cama em 2010, ouço um despertador que diz: "acorda, minha bonequinha, está muito quente essa cama, logo voce tem que tomar seu cafézinho, e ir trabalhar!"  e eu sem saber a sorte que tenho, me levanto resmungando não poder ficar mais na cama...

Às vezes acordo, e por um segundo, estico o braço, pra então notar que estou na casa dos meus pais, e que hoje não é um sábado em que vou ver filmes a tarde toda e comer pipoca até enjoar...

Engraçado como o sono apaga qualquer diferença, não é? Não existe passado e presente, não existe lugar nem ocasião.

Levanto e me olho no espelho. A mesma carcaça cansada dos ultimos sete meses, minha pele está esticada, tenho olheiras, cabelo está seco, pareço um pergaminho amarelado, me sinto morta, não desejo nada!

Caramba, mas minutos atrás eu estava loira, magra, e cheia de poder!! Ah, não, era sonho também!

to be continued...

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